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Quando a integridade vacila
4 May 2007
Geraldine Fraser-Moleketi
O romancista ganês Ayi kwei Armah, no seu primeiro e mais conhecido romance “Os Bonitos Ainda Não Nasceram”, descreve a vida de um anónimo trabalhador ferroviário que vive constantemente pressionado pela família e colegas de trabalho para aceitar subornos e envolver-se em actividades corruptas.
Os outros trabalhadores que aceitam subornos vêem a sua vida prosperar, enquanto ele e a sua família levam uma vida modesta por causa da sua honestidade. Na sua luta diária, vê-se frequentemente como um falhado por não conseguir prover a sua família com dinheiro suficiente que permitiria que realizassem os seus sonhos. A sua honestidade transforma-o também numa pessoa isolada e socialmente desajustada.
Neste soberbo romance, Armah faz uma análise dos ressentimentos de uma sociedade amargurada e pinta um quadro vasto que serve como uma crítica estridente do impacto da corrupção nas sociedades, em modo geral. O anti-herói anónimo de Armah trabalha num centro de controlo de tráfego escuro e sufocante, onde monitora a rota inconsistente de comboios delapidados que nunca vê.
Falta de ideologia
Ele aprendeu a deprimente lição de que a liberdade do colonialismo não significa liberdade da exploração. Aprendeu que a relação entre a política, a burocracia e a economia pode causar formas de corrupção mais agressivas. Aprendeu que a fome corrosiva por dinheiro não conhece ideologia.
A discussão global sobre a corrupção deve ir além da simples relação corruptor-corrompido e abster-se, conscientemente, de abordagens apenas focadas em percepções e culpa. Criticamente, a discussão deve estabelecer um sistema para medir a corrupção, que vá além das percepções e quadros focados naqueles que recebem subornos.
Embora a corrupção seja um fenómeno global enraízado na história, as suas manifestações contemporâneas podem-se localizar numa compreensão do colonialismo, neo-colonialismo e globalização.
No Fórum África sobre o combate à corrupção, recentemente realizado em Joanesburgo, foi sugerido que numa era de globalização, são muitos os estados que se apresentam cada vez mais vulneráveis ao poder das multinacionais. O que emergiu desse Fórum foi um consenso numa abordagem multilateral renovada de combate à corrupção, baseado num entendimento comum da importância de defendermos os nossos valores comunais, habitual e tradicionalmente igualitários e democráticos de humanidade, ubuntu e ujamaa.
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